Sobre o 11º COREP - CRP 12


Nos dias 26 e 27 de março de 2022, ocorreu na sala de eventos do hotel Castelmar, em Florianópolis, o 11º COREP/SC. Este evento antecede o 11º CNP - Congresso Nacional de Psicologia, que será realizado de 02 a 05/06/2022, em Brasília.


Os COREPs e o CNP são espaços privilegiados de participação e momentos de construção de pautas pela categoria, repletos de discussões e debates que sinalizam aos CRP’s e CFP o anseio das/os psicólogas/os para a futura gestão do Sistema Conselhos nos próximos 3 anos. É, inclusive, nesta primeira etapa (regional) que se elegem as(os) delegadas(os) responsáveis por levar os encaminhamentos - decididos de maneira democrática pelos profissionais de Santa Catarina, assim como ocorre nos demais Estados - para a plenária nacional (CNP). Trata-se de um momento de bastante expectativa em relação aos desdobramentos dessas discussões, que irão trilhar os rumos do fazer profissional da categoria.


A fala crítica e reflexiva acerca do compromisso social da psicologia, realizada pela Profª. Mariana Prioli Cordeiro (Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP) pela manhã de sábado, abriu os trabalhos sinalizando o potencial, os dilemas e as dificuldades de avanço da Psicologia nas políticas públicas no País. A professora reiterou a necessidade de retomar o debate acerca do compromisso que a profissional de Psicologia deve assumir em sua atuação, tecendo críticas e reflexões acerca de temas tão presentes no projeto ético-político como, por exemplo, os Direitos Humanos. Ou seja, de quais direitos e humanos estamos falando? É justamente no âmago desta reflexão que evidencia-se a necessidade de atuação em prol da diminuição da desigualdade social, diminuição da violência de gênero e raça, e também em defesa de políticas sociais. Basta olharmos para os dados das vítimas fatais de Covid-19 ao longo da pandemia para percebermos o recorte socioeconômico.


Num segundo momento do evento, no trabalho em grupos, foram apresentadas as propostas sugeridas pela categoria durante os pré-COREP’s, conforme os eixos temáticos, e onde foram aprimoradas, votadas e priorizadas. Posteriormente, as propostas foram apreciadas e votadas na plenária final do evento, que ocorreu no domingo, 27 de março. Surpreendeu- nos o voto contrário de algumas/ns delegadas/os em propostas que versavam sobre temas relacionados a Direitos Humanos e Políticas Públicas - por exemplo, a defesa de políticas voltadas às pessoas imigrantes e refugiadas. Esta proposta específica, lamentavelmente, foi rejeitada.


Outro fato controverso que marcou o evento ocorreu no momento das moções, pois na oportunidade em que um dos delegados fazia a leitura, justamente um texto de denúncia sobre as violências sofridas por pessoas LGBTQIA+, foi feita uma filmagem apenas do orador. Posteriormente, esta filmagem foi questionada por outro delegado, alegando que não havia autorização para gravações durante o evento. Neste momento ficaram perceptivas as divergências entre delegados favoráveis e contrários às gravações e a não transparência com um evento tão importante para a categoria.


Diante da situação, foi solicitado a publicização de imagens do momento da leitura das moções através, exclusivamente, das redes sociais do CRP-12, o que foi rejeitado pela plenária, conforme votação das delegadas. Como desfecho deste cenário, tivemos a reação expressiva de sofrimento de um psicólogo preto pelo ato de censura imposta às moções que versavam sobre as questões de LGBTQIA+fobia, racismo, machismo e demandas estudantis.


As divergências demonstraram que as práticas de gestão, de princípios e de defesa intransigente das políticas públicas e as lutas em defesa de uma prática profissional mais comprometida com as mudanças que queremos ver na sociedade, de modo a diminuir as desigualdades e as violências que dela decorrem está distante de ser alcançada.

Só o testemunho, o empenho de todas e todos e a participação de todos os cidadãos, incluindo aí a categoria das(os) Psicólogas(os), podem garantir o real exercício da democracia e da busca da justiça e diminuição das desigualdades.


Não é possível recuar nos avanços já conquistados. Não é possível abrir mão das práticas que retomam a democracia e o acesso aos direitos como caminho para construção de um Estado mais justo e solidário, princípio final de qualquer prática profissional realmente comprometida com a defesa dos Direitos Humanos, o que fundamenta e dá sentido à sua prática profissional.

Diante do exposto, o SinPsi-SC lamenta os episódios ocorridos no último COREP-SC e vem reforçar a defesa da democracia, bem como das mulheres, da comunidade LGBTQIA+, do povo negro, dos imigrantes!


Acreditamos em uma Psicologia que cumpra seu papel social, através da defesa das Políticas Públicas, dos Direitos Humanos e coerente com o Código de Ética Profissional da(o) Psicóloga(o): “O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos”


Diretoria do SinPsi-SC

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